Cigarrinha do milho

Dalbulus Maidis

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é considerada uma praga que vem recebendo grande importância econômica para a cultura do milho nas últimas safras. O Sudeste e o Centro-Oeste brasileiros vêm sofrendo com a sua presença e com os danos causados por ela. A cigarrinha-do-milho pode dizimar grandes extensões de áreas de cultivo, que ocorrem concomitantemente, devido à facilidade de sua migração. As épocas de semeadura mais tardias, ou milho safrinha, são os cenários de maior pressão de ataque.

Danos

A cigarrinha é um inseto-vetor de patógenos, ou seja, não causa danos expressivos diretamente, mas de forma indireta. O dano é causado quando a praga, durante o processo de alimentação, desempenha o papel de transmissora dos patógenos causadores dos enfezamentos pálido e vermelho do milho, e da virose do raiado fino.

O que são enfezamentos?

O enfezamento é uma doença causada por microorganismos da classe dos Mollicutes, conhecidos como espiroplasmas e fitoplasmas. O Spiroplasma kunkelii é o agente causal do enfezamento-pálido, e o fitoplasma (Maize Bushy Stunt Phytoplasma) o agente causal do enfezamento-vermelho.

Os enfezamentos podem gerar danos que podem acarretar perdas totais da lavoura, ao ponto de não justificar a colheita. Os principais danos são:

Redução da absorção e assimilação de nutrientes pela planta;

Redução na capacidade de produção de fotoassimilados;

Redução no tamanho da planta;

Encurtamento de entrenós;

Ocorrência de super-espigamento;

Espigas improdutivas;

Redução no tamanho de espigas e espigas com falhas;

Grãos mal formados e chochos.

Planta de milho com enfezamento pálido (A) e enfezamento vermelho (B).

Condições favoráveis e evolução

A cigarrinha é uma praga bem adaptada às condições tropicais do Brasil. Tem sido altamente favorecida pela presença de lavouras de milho de diferentes fases de desenvolvimento no campo e pelo cultivo de milho safrinha. A ocorrência de plantas de milho tiguera, e a manutenção de plantas com sintomas de mollicutes no campo, as quais são fonte de inóculo para a cigarrinha, podem favorecer para sobrevivência da praga e contaminação de plantas sadias. A cigarrinha se alimenta e se reproduz apenas no milho, e por isso, a manutenção de plantas é favorável para sua multiplicação.

Ao se alimentar da seiva de plantas doentes, a praga adquire os mollicutes (fitoplasma ou espiroplasma) que ficam alojados nas glândulas salivares. No ato de sucção de seiva das plantas sadias, elas liberam o conteúdo salivar e contaminam essas plantas. Sua presença pode ocorrer desde a fase de estabelecimento da cultura, tendo preferência de atacar plantas jovens.

Lavouras de milho vizinhas, em estádios diferentes. Cenário propício para a ocorrência de enfezamento.

As fêmeas ovipositam preferencialmente na nervura central das folhas, no interior do cartucho. Cada fêmea pode pôr de 400 a 600 ovos. A temperatura ideal para incubação é em torno de 26 a 28 °C, e dura de 8 a 10 dias. Após a emergência das ninfas, essas vivem em colônias junto aos adultos, preferencialmente dentro do cartucho do milho, onde ficam mais abrigadas. A longevidade dos adultos pode chegar a 8 semanas. O ciclo de vida da cigarrinha dura em torno de 25 a 30 dias, considerando uma temperatura média de 25° C.

Colônia de adultos de cigarrinha dentro do cartucho do milho. (Foto: Phytus Group)

Identificação e monitoramento

Os sintomas do enfezamento são percebidos tardiamente, mas a presença da cigarrinha pode ocorrer desde os primeiros estádios de desenvolvimento do milho. Quanto mais cedo a planta for atacada e infectada, maior serão os danos causados pela doença.

O adulto da cigarrinha mede em torno de 3,5 a 4,5 mm de comprimento, apresenta coloração amarelo-pálido, possui duas pequenas manchas pretas na parte dorsal da cabeça e asas semitransparentes (Figura 4). Os ovos possuem coloração esbranquiçada, quase transparente, medindo em torno de 1 mm de comprimento. As ninfas são de coloração amarelo-clara, medem 1 mm no primeiro estágio, chegando a 4 mm no último estádio.

Adulto da cigarrinha do milho (D. maidis). (Foto: Tatiane Lobak – Phytus Group).
Ninfas e exúvias liberadas na troca de estágio da cigarrinha (D. maidis).

O monitoramento deve ser iniciado logo após a emergência do milho, pois os ataques podem ocorrer a partir das fases iniciais do desenvolvimento das plantas.

Desafios ao manejo

A utilização de estratégias de manejo de forma isolada não é efetiva no controle da cigarrinha. Por isso, recomenda-se o uso de estratégias integradas. Abaixo, são listadas algumas importantes estratégias que auxiliam no controle dessa praga/vetor:

  • Eliminar plantas voluntárias de milho na entressafra, que podem servir de inóculo dos patógenos para contaminar as cigarrinhas;
  • Utilizar cultivares de milho resistentes aos enfezamentos;
  • Rotacionar cultivares de milho com níveis de resistência entre uma safra e outra;
  • Evitar semeaduras tardias e cultivos subsequentes de milho;
  • Evitar cultivos de milho próximos a lavouras já com presença de enfezamentos. Caso isso ocorra, evitar que as cigarrinhas infectadas ataquem a lavoura recém implantada;
  • Concentrar as épocas de semeadura para reduzir a quantidade de cigarrinhas infectadas;
  • Realizar o tratamento de sementes – Essa é uma das principais estratégias para proteção inicial da cultura contra possíveis ataques, logo após a emergência de plantas. O tratamento de semente é uma prática fundamental dentro do programa de manejo para a proteção das plântulas, pois quanto mais jovem for o milho, maior serão os danos causados pela transmissão dos patógenos;
  • Realizar tratamento químico na parte aérea do milho – É importante ressaltar a importância da adoção das estratégias anteriores citadas, visto que em áreas com alta pressão de inóculo e da cigarrinha, apenas o tratamento químico poderá não possuir longo residual, sendo necessária a complementação com aplicações foliares. O grande desafio reside no baixo efeito residual dos inseticidas, visto que o milho na fase vegetativa emite folhas novas constantemente, e re-infestações da praga acabam exigindo pulverizações frequentes.
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