Materiais Técnicos

A semente do híbrido de milho que chega até a lavoura contém todo o potencial produtivo que a planta é capaz de expressar. Porém, desde a semeadura até a colheita, a planta enfrenta diversos desafios que podem reduzir sua produtividade e gerar danos de grande impacto econômico para o agricultor. Entre esses obstáculos, estão as doenças de grãos do milho, que causam apodrecimento de espigas. Conheça as características dessas doenças e saiba como prevenir que elas ocorram em sua lavoura.

Como identificar

Na agricultura brasileira, as principais doenças que atingem os grãos das espigas de milho são a Fusarium (Fusarium verticillioides), Giberela (Giberella zeae) e Diplodia (Stenocarpella sp.). O bom manejo dessas doenças, que são causadas por fungos necrotróficos, é fundamental para obter sucesso no cultivo da cultura de milho.

Principais doenças de grãos (grão ardido)

Giberela

- O fungo pode se desenvolver no colmo ou mesmo na espiga (grãos ardidos).

- São disseminados quando as condições ambientais se tornam favoráveis.

Condições favoráveis

- Chuvas (cerca de 2 a 3 semanas após a polinização).

- Mais de 48 horas de chuva em locais com altitude próxima a 650 metros em temperaturas entre 20 °C e 30 °C.

 

 

Fusarium

- Normalmente causa danos em grãos isolados ou em um grupo de grãos. São muito raros os casos em que ocorre na espiga toda. Conforme a doença evolui, os grãos infectados podem ficar recobertos por micélio, que forma uma massa cotonosa avermelhada. Se a infecção ocorre por meio do pedúnculo da espiga, todos os grãos podem ser infectados.

Condições favoráveis

-Espigas mal empalhadas.

- Ataque de lagartas favorecem a doença.

- Chuva e temperatura na faixa de 30 °C.

- Ocorre nas regiões de altitude abaixo de 600 metros ou regiões mais quentes e úmidas.

 

 

Diplodia

- Os esporos do fungo são depositados na bainha das espigas por meio da chuva, infectando os pedúnculos.

- Causa podridão na espiga do milho.

- Os sintomas são grãos marrons e com baixo peso, além de crescimento micelial branco entre as fileiras de grãos.

- As espigas são mais suscetíveis cerca de 3 semanas após a polinização.

Condições favoráveis

- Seca antes do florescimento e alta umidade na fase de enchimento de grãos até a colheita em temperaturas na faixa de 30 °C.

- Regiões acima de 600 metros. Pode ocorrer em regiões de menor altitude e em áreas de safrinha.

 

 

Estratégia de manejo

É muito importante destacar que o manejo eficiente de grão ardido só ocorre quando é realizado de forma preventiva. Após a instalação dos fungos na espiga, o uso de fungicidas nos métodos curativos apresenta, no máximo, 60% de eficiência no manejo.

A principal recomendação para o manejo preventivo dessas doenças é a seleção de híbridos com resistência genética, respeitando densidade de plantas e época de semeadura de acordo com a recomendação de cada híbrido. A rotação de culturas, que evita atrasos de colheita, reduz a incidência de grão ardido.

Adubações de acordo com as recomendações técnicas para evitar desequilíbrios nutricionais e aplicação de fungicidas também colaboram para a prevenção da doença. O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é indispensável, pois os ataques das principais lagartas da cultura podem gerar danos nas espigas, os quais permitem o desenvolvimento de fungos oportunistas que causam as doenças de grão ardido.

Por: Rodrigo Santos
Monsanto South America Hub Lead / Presidente da Monsanto na América do Sul

A pergunta parece estranha, mas não está muito distante do que já é uma realidade para diversos agricultores em países como os EUA e, agora, no Brasil. Da mesma forma como a internet transformou as enciclopédias em artigos de museu e os serviços de streaming fizeram evoluir a forma como consumimos filmes e séries, a agricultura digital chegou para mudar a forma como nós produzimos alimento e, por consequência, como planejamos e utilizamos nossos recursos.

A Climate Corp, empresa da Monsanto Company, tem sido o grande motor dessa mudança, levando o big data para a agricultura. Big data nada mais é do que a ciência que permite a gestão e a organização de uma grande quantidade de dados.

No caso da agricultura, um simples talhão gera cerca de 20 GB de dados e informações por ano. E esses dados dizem respeito ao clima, ao solo, à área plantada, às condições das plantas, à cultura utilizada e a muito mais. Se pararmos para pensar, são coisas que todo agricultor já observava e, provavelmente, utilizava a seu favor para produzir melhor no espaço disponível.

Entretanto, imagine o que acontece quando conseguimos reunir todos esses dados, organizados segundo um mesmo padrão e de agricultores de diversas culturas, áreas, ecossistemas, regiões... é quando a mágica do big data acontece. Produzir alimentos e recursos passa a ser um processo coletivo, digital e inteligente, como já ocorre com a produção de notícias ou de serviços compartilhados – Uber ou Airbnb, por exemplo. Isso é a agricultura digital. Uma espécie de Waze para o produtor.

O campo está se aproximando do big data de tal forma que os agricultores estão ampliando o uso de sensores em suas lavouras.

Existe uma estimativa de que, até 2020, teremos mais de 100 bilhões de sensores conectados à internet na agricultura.

Eles são responsáveis por enviar, em tempo real, dados para a nuvem que, na sequência, são organizados e geram as informações tão desejadas para a tomada de decisão do agricultor.

À medida que essa massa colossal de dados começa a ser organizada, ela vira informação. E o melhor: informação automatizada. O que significa que o produtor passa a ter, na ponta dos dedos, respostas sobre o que plantar, como plantar, onde e em que época. Mais do que isso: ele sabe quais defensivos ou fertilizantes usar, as quantidades recomendadas para aquele tipo de clima e solo, e para as pragas mais comuns em sua região. Interligado a uma plataforma especial, esse programa pode até mesmo orientar máquinas agrícolas para que os processos ocorram de forma automatizada e com precisão matemática. O resultado? Produzimos mais, de forma mais eficiente, poupando recursos e conservando nosso planeta.

Essa é a grande revolução em curso na agricultura mundial atualmente. É por isso que, mais do que nunca, produzir alimentos tem a ver com planejamento, eficiência e informação. E, conforme a revolução digital, que tanto muda nossas vidas, chega à agricultura, a pergunta do título começa a não parecer tão estranha. E aí? Quantos giga tem sua lavoura?