A adoção de refúgio é a prática mais importante da estratégia de manejo de resistência de insetos, que tem como objetivo principal retardar o desenvolvimento de resistência de pragas a tecnologia Bt (Bacillus thuringiensis).

Como funciona?

Por meio do plantio de sementes de híbridos convencionais ou somente com tolerância a herbicida em 10% da área total do cultivo de milho, é possível promover a multiplicação de indivíduos suscetíveis ao Bt. Criando esse cenário, os raros indivíduos resistentes, que sobrevivem em plantas Bt, acasalarão com indivíduos suscetíveis, que se desenvolvem nas áreas de refúgio. Quando os descendentes desse acasalamento se alimentarem de plantas Bt, serão eliminados, resultando no retardo da evolução da resistência.

Vale lembrar que, para que esse processo seja eficiente, a área de refúgio deve ser plantada a uma distância menor que 800 metros do plantio de milho Bt.

É preciso manejar áreas de refúgio?

O manejo de pragas em áreas de refúgio deve ocorrer da mesma forma como acontece em áreas com milho Bt: por meio do controle químico. Por conta da seletividade dos produtos e de fatores como clima e deriva no momento da pulverização, variabilidade genética dos indivíduos e a seletividade ecológica e fisiológica da praga, os insetos-alvo da tecnologia Bt conseguem sobreviver a níveis desejáveis em áreas de refúgio instaladas nas condições corretas.

O maior cuidado deve ser voltado para o inseticida utilizado. Como a estratégia é reduzir a pressão de seleção por parte da tecnologia Bt, o uso desse método atrapalha a eficiência do refúgio. Por isso, não é recomendada a pulverização de inseticidas à base de Bt nessas áreas.

O controle de pragas no refúgio deve seguir a escala Davis: situações com 20% ou mais de plantas apresentando folhas com raspagens ou pequenos furos exigem a tomada da decisão do agricultor, que deve fazer pulverizações com inseticidas.