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07/01/2009
A estimativa de que a produção nacional de grãos deve ser menor na próxima safra, tendência que pode se confirmar também em Mato Grosso, desafia os responsáveis pela política agrícola a colocarem em prática novos instrumentos que se mostrem eficazes para conter prejuízos à atividade. Como adverte o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, nem a economia brasileira, nem a agricultura, incluindo a familiar, estão imunes à crise. Por isso, lembra que o importante é o fato de o país estar preparado para enfrentá-la, o que será preciso conferir na prática.
Apesar da recente queda acentuada nos preços internacionais de produtos agrícolas, 2009 pode se constituir em um ano de oportunidades para a expansão do agronegócio brasileiro no comércio mundial. A previsão é do secretário de Relações Internacionais do Agronegócio, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Célio Porto. Qualquer país consegue exportar com os altos preços praticados em 2008. Todavia, quando há uma baixa de preços, os países menos competitivos são os primeiros a se retirarem do mercado, afirma Porto.
Apesar de operadores e investidores estarem preocupados com futuro da demanda mundial, inclusive de soja, as perspectivas para o consumo da oleaginosa são otimistas. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que o consumo mundial de soja na safra 2008/09, seja para produção de ração ou processamento, será recorde e terá um crescimento de 1,7% sobre o ano anterior. A expectativa do USDA é de que sejam consumidas 233,96 milhões de toneladas ante os 229,96 milhões de 2007/08.
O prefeito de Barão de Cotegipe, a 10 km de Erechim, Vladimir Luiz Farina, informou ontem que assinou decreto de situação de emergência no município. A medida foi tomada depois que foram conhecidos os números sobre as perdas nas lavouras. O milho já tem quebra de 55%; a soja, 30%; o leite, 40%; e o feijão, 80%. De acordo com Vladimir Farina, é feito o abastecimento de água para consumo animal em 30 propriedades rurais.
Os problemas provocados pela escassez de chuvas, que já contabilizam enormes prejuízos nos três estados do Sul, colocam agora regiões produtoras do Centro-Oeste em situação de emergência. No Mato Grosso do Sul, os 50 mm de chuva observados na última semana não serão suficientes para recuperar os mais de 60 dias de estiagem que prejudicaram diversos municípios da região. As perdas estimadas para a soja no estado são da ordem de 25% da safra inicialmente prevista pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 4,59 milhões de toneladas.