O que é Biotecnologia?

A palavra biotecnologia é formada por três termos de origem grega: bio, que quer dizer vida; logos, conhecimento; e tecnos, que designa a utilização prática da ciência. Com o conhecimento da estrutura do material genético - a molécula do DNA (ácido desoxirribonucléico) - e o correspondente código genético, teve início, a partir dos anos 70, a biotecnologia dita moderna, através de uma de suas vertentes, a Engenharia Genética, ou seja, a técnica de empregar genes em processos produtivos, com a finalidade de obter produtos úteis ao homem e ao meio ambiente. Os métodos modernos permitem que os cientistas transfiram com grande segurança genes de interesse, ou seja, com características desejadas, originados de diferentes organismos (não apenas de organismos sexualmente compatíveis - o que amplia a variedade de genes que podem ser utilizados) de uma forma antes impossível.


O que é Biotecnologia agrícola?

A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e, conseqüentemente, de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta, uma bactéria, um fungo, etc.) e plantas, com segurança. Veja ilustração abaixo, que mostra a diferença entre o “melhoramento tradicional” e a “biotecnologia de plantas”:

MELHORAMENTO TRADICIONAL DE PLANTAS:

BIOTECNOLOGIA DE PLANTAS:

No melhoramento tradicional, cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes. Já a transgenia é uma evolução desse processo, com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas. Além disso, a transgenia, como ferramenta da biotecnologia agrícola, oferece maior precisão do que os cruzamentos, pois permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência, sem que sejam introduzidos outros genes, como acontece no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a “mistura” de metade da carga genética de cada variedade parental). A transgenia permite um melhoramento “pontual” através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis.

Países com Biotecnologia

25 países: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Bolívia, Brasil, Burkina Faso, Canadá, Chile, China, Colômbia, Eslováquia, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, França, Honduras, Índia, México, Paraguai, Polônia, Portugal, República Checa, Romênia e Uruguaia. Com 21,4 milhões de hectares em lavouras geneticamente modificadas, o Brasil é o segundo maior produtor de transgênicos no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Culturas no Brasil

Em 2008, os agricultores brasileiros cultivaram 15,8 milhões de hectares de lavouras transgênicas, um crescimento de 5,3% em relação a 2007, de acordo com levantamento da ISAAA (International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications). O país foi responsável por pouco mais de 12% dos hectares de culturas transgênicas plantadas no mundo no ano passado, ocupando a terceira posição entre as nações que usam sementes geneticamente modificadas, atrás de Estados Unidos e Argentina.

LAVOURAS TRANSGÊNICAS NO BRASIL EM 2008

Brasil: próximos 10 anos

A consultoria Céleres divulgou em 2009 uma estimativa dos benefícios socioambientais e econômicos das lavouras transgênicas brasileiras de soja (RR), algodão (Bt) e milho (Bt) no período de 10 anos entre as safras 2007/2008 e 2017/2018. De acordo com o relatório, ignorar a importância das novas variedades resultaria em US$ 21 bilhões a menos na agricultura.

A metodologia do estudo contemplou entrevistas com 370 agricultores de nove Estados brasileiros com relevância nas três culturas pesquisadas. O grupo de entrevistados incluiu produtores de sementes transgênicas e de sementes convencionais.

O estudo indicou que nos próximos 10 anos as culturas transgênicas contribuirão para a economia de 105,1 bilhões de litros de água na agricultura, o suficiente para abastecer 2,4 milhões de pessoas no mesmo período de tempo, levando em consideração dados da ONU de 120 litros por habitante por dia. Com a adoção da soja transgênica, 22,7 mil toneladas de produtos químicos deixarão de ser lançadas no meio ambiente.

Nos próximos 10 anos, as três culturas poderão reduzir em 806,5 milhões de litros o consumo de óleo diesel, o suficiente para abastecer 336 mil veículos leves, cada uma delas rodando 24 mil km por ano.

O uso de sementes geneticamente modificadas, nos próximos 10 anos, será responsável pela redução da emissão de 2,08 milhões de toneladas de gás carbônico, um dos mais importantes do efeito estufa, benefício equivalente à preservação de 15,3 milhões de árvores (Floresta Ripária).

Céleres também estimou o ganho econômico potencial com a adoção de lavouras GM: a soja pode gerar US$ 11,9 bilhões, o algodão US$ 4,6 bilhões e o milho US$ 51 bilhões. A diminuição das despesas está relacionada a um menor uso de defensivos agrícolas, óleo diesel, água e com o aumento da produtividade.

O relatório também aponta as desvantagens econômicas de não investir em tecnologias transgênicas. Não utilizar algodão e milho transgênico durante o mesmo período, aumenta os custos em US$ 7,45 bilhões e US$ 84,7 bilhões respectivamente. Somados com os ganhos, produtores de algodão deixariam de ganhar US$ 12,15 bilhões; enquanto os produtores de milho, US$ 135,7 bilhões.